writting week2

Eu estou sempre aqui, sempre neste mesmo momento, quando a minha casa está passando por cima da grande area azul dessa outra casa, eu sempre estou aqui, sentada nessa cratera observando. Poxa, claro que eu ja vi as outras partes, vejo tantas cores vindo de todos os lados de fora da minha casa, mas aqui tudo é branco e cinzento. Branco, Cinza, depois de alguns anos isso cansa sabe? começa a se tornar muito chato, afeta nosso humor.

Ouvi dizer que tem gente como nós lá naquela casa abaixo da minha, me pergunto como é que é viver entre tanta cor… Os outros dizem que lá é tão ruim, tão ruim, que eles ja vieram aqui.
É, eu vi quando eles vieram, faz algum tempo, eles enfiaram aquele espeto na mamãe, o espeto tem cores, tem a cor que eu gosto de olhar na casa de baixo, tem a cor da coisa que sai quando a gente se machuca, e tem a cor que nos cerca ao redor, a cor da minha casa.
Eles não tem tanto branco como aqui tem, mas em compensação, eles tem muitas cores lá embaixo.

Ah, eu queria ir lá embaixo, mas os outros dizem que é ruim.

” Alkaid! Os pedregulhos! ”

” hã? ”

Ah! tarde demais, ele ja está perto demais de min!
Ai! Nossa como isso dói, faz parar! Espera! Espera! não! eu quero voltar pra casa! Para! Ah não! Para!
Eu tenho que fechar os olhos, não sei oque vai acontecer e eu francamente tenho muito medo, muito medo, vi minha casa ficando distante em pouquissimo tempo, urg, está ficando mais veloz! oque é isso? isto é?

” Vento, vento é quando o ar se move. ” Oque? de onde veio isso? mas então essa sensação de algo se batendo contra meu corpo? isso tem nome? ” Ih olha! uma estrela cadente! faz um pedido! ” Estrela oque? aonde? o… oh, espera… ” Mais um meteorito entrando na nossa atmosfera, essa semana tem tido poucos, ainda por cima desses que conseguem criar algum sinal luminoso. ” Meteorito? oh, agora sei! o nome dos pedregulhos é meteorito tambem! Mas… porque isto está acontecendo, oque são essas vozes na minha cabeça? Oque diabos tá acontecendo? É melhor eu abrir os…

” AARG! ” melhor hora pra abrir os olhos, logo na hora da dor… nossa, minha cabeça tá leve… eu…

” ih caramba, alguem foi acertado pelo meteorito! ” quem? quem foi acertado pelo meteorito?

” nossa, como ela é gatinha. espero que fique bem. ” ga oque? doque você tá falando o…

” ai senhor! por favor poupe a vida desta menina! tão jovem, não permita que ela pereça. ” vocês estão falando comigo? é isso?

” vai ficar tudo bem vai ficar tu… ”

” ai… ” eu abro os olhos, nossa, quanta gente, e… ai caramba! Quanta cor! É cor pra todo lado, e, tem essa sensação nova e diferente, será que isso é o ar? espera, e esses sons? tem som pra todo lado! oque é… ” Caramba aonde eu estou? ” eu digo

” Não se lembra? Sabe qual é o seu nome? ” o rapaz me pergunta, tá sorrindo, eu sabia que cores deixam as pessoas mais felizes, fazem elas serem mais diferentes.

” Meu nome? Ah, meu nome é Alkaid moço. ” eu respondo

” De onde você é Alkaid? ” ele pergunta denovo

” Luna. ”

” Luna? Aonde fica isso. ” ele pergunta pra min, confuso.

Eu avisto a minha casa lá encima e aponto

” hã? não entendi. ” o rapaz diz com uma cara meio preocupada.

” de lá, tá vendo aquela grande esfera branca? eu vim de lá. ”

” ah, tá, quer dizer que você veio da lua? ” ele me olha com uma cara meio sorridente… tem algo estranho nesse sorriso ai.

” ah vocês chaman a Luna de Lua? É bem parecido, mas eu prefiro Luna. ”

” Ah certo… ” ele continua me olhando de um jeito estranho, parece que ele vai gargalhar… acho que contei alguma piada, bom, pelo menos caiu a ficha de aonde eu estou, mas eu ainda não sei o nome do lugar. Agora ele e outro rapaz estão me erguer nesse troço desconfortavel… ” Maca ” ah, obrigada.

” Essa garota ai tá maluquinha, acho que a pancada fui muito mais forte que pareceu. ”

” Ô eu to maluca não! ” eu respondo devolta.

” Hã? ninguem disse que você está maluca. ” ele responde olhando pra min surpreso. ” Nossa ela parece que pode ler a mente dos outros. ” ele adiciona, sem abrir a boca.

espera, ele não abriu a boca pra falar o resto. Caramba! eu posso ler mentes!

E assim foram os meus ultimos momentos em Luna, e meus primeiros momentos na Terra. Depois de passar algumas horas no hospital, tive tempo suficiente pra aprender bastante coisa sobre a cultura da Terra. Sim, eles chaman a casa azul e branca de terra, o azul aparentemente é oque eles chaman de água, só não entendi bem porque toda água que eu via era transparente e não azul, na verdade existem águas de várias cores, e pra várias coisas, eles tem água pra tudo quanto é coisa. mas a minha historia não é sobre como eu vim parar na terra nem sobre as águas que eles tem aqui. A minha historia mesmo, é sobre como que eu consegui fazer o meu lugar aqui na terra. E é ela que eu vou contar agora.

Starsinger – Primeira Canção: Feel so Moon

Quando saí do hospital, primeiro entrei em choque, quanto movimento, quanto barulho, quanto vento, quanta cor, quantas luzes, e eu podia ver minha casa daqui. Eu pensei em voltar pra casa, eu não podia voltar pra casa. Pois é, não tinha como eu voltar pra casa, senti uma agonia profunda, me senti perdida, eu não sabia oque fazer, era tudo muito novo, tudo muito diferente e… Eu tinha uma coisa pra resolver, eu tinha a conta do hospital, que, precisava ser paga com dinheiro. Só que até ali eu não tinha visto oque era dinheiro, só aprendi duas coisas sobre ele, que é necessario aqui na terra, qualquer coisa que você precise fazer você precisa dar dinheiro antes, menos as que são de graça. E pra conseguir dinheiro, você precisa trabalhar, trabalhar é igual a fazer as tarefas do dia lá em Luna, só que na maioria das vezes ninguem gosta doque faz e isso deixa as pessoas cheias de coisas dificeis na cabeça, é bastante anguistiante, bastante.

Pra não falar dos olhares estranhos que eu recebi, por causa da minha roupa, que eles tiveram a doçura de lavar e secar e deixar limpinha, lavar é limpar a roupa, mas com água e outros produtos. estranho, minha roupa estava até mais confortavel depois de lavar, gosto dessa historia de lavar a roupa.

Mas ainda tinha o problema de como conseguir dinheiro, nossa, andei por ai e notei que, tinha um moço produzindo sons com um objeto diferente, era de madeira, tinha uma longa prancha com fios esticados sobre ela até um corpo maior com um buraco oco no meio. O nome do objeto era ” Violão. ” e a musica era agradavel, sabe… eu sentei ali, e a musica me deixava mais tranquila, eu me deleitei ali até que o moço parou e me perguntou, ” Você está gostando? ”

” Sim, muito. ” eu respondi.

” É, você parece estar um pouco mal, Algo de ruim aconteceu? ” ele me perguntou sorrindo, um sorriso bonito e cheio de ternura, era morno e gentil.

” Quando eu contei aos médicos oque aconteceu, eles me chamaram de maluca. ” eu respondo, pela primeira vez eu começo a sentir uma sensação ruim, meus olhos estavam ardendo um pouco, algo começava a sair deles.

” Porque está chorando? ” ele pergunta, agora com uma cara de preocupação.

” Eu quero ir pra casa moço. ” eu estava, como o moço havia dito, chorando, e muito.

” Não sabe como ir pra casa? ” ele sorri um pouco, acho que é assim que as pessoas tentam consolar as outras, eu passei por muita coisa forte naquele dia…

” Não moço, não dá pra eu voltar pra casa, é impossivel. não tem estrada que chegue lá. ” Limpando as lágrimas dos meus olhos, mas nem adiantava, eram tantas as lágrimas que saiam uma após a outra que não dava pra enxugar.

” Você mora no interior? é isso? ” Ele me perguntou, meio confuso, conseguia sentir a preocupação dele, e ela me aliviava.

” Não, eu moro bem pra fora, num exterior muito muito distante. ” Eu respondi, me sentando do lado dele e olhando pra a Luna.

” Exterior muito muito distante? você mora no Japão? ” Eu nem sabia oque era japão, mas com certeza não era tão longe quanto Luna, e com certeza bem mais acessivel.

” Não moço, moro mais distante que isso. ”

” Oque pode ser mais distante daqui que o japão? ”

” Moço, não ria de min, por favor nem pense que sou maluca, oque eu falo é verdade, eu sei que me visto esquisito, e não pareço que sou daqui, mas eu realmente não sou daqui, na verdade eu não tenho muito parecido com ninguem, eu sou mesmo diferente, falo sério. Moço, eu vim da lua. ” E eu olhei pra o chão, desanimada, me senti sem esperanças, algo me enforcava mas não tinha mão nenhuma, e havia uma dor no peito, estrangulando tudo que tem dentro dele, terrivel, sentimento terrivel. Mas o moço então soltou um acorde e me cantou uma canção, ela era mais ou menos assim:

No céu a cor, que vai a mudar
O dia vem ao seu fim chegar
E com todo seu esplendor
Vem a brilhar
De prata a luz
o mundo vem banhar.
Ah, o Luar
Sua luz, me faz cantar
E a tristeza, e a dor
De min tirar.

E o olhar
De cima, a me vigiar
Faça de estrelas
Meu rio
se transformar.

” Moço, qual o nome disso que você fez agora? “eu perguntei.

” Cantar. ” ele me respondeu, rindo, ele gostava de cantar, gostava muito mesmo, e eu gostei daquilo, senti muita vontade de aprender, eu queria poder fazer o mesmo que ele fez comigo, talvez, eu pudesse ajudar as pessoas que sofressem dos mesmos sentimentos que eu, se eu conseguisse fazer igual a ele.

” Você me ensina?  ” eu pedi, limpando oque havia sobrado das minhas lágrimas.

” Claro que ensino, Meu nome é Gabriel Robin. ” ele disse, extendendo a mão, eu não sabia oque fazer, mas, instintivamente eu segurei a mão dele e disse:

” Eu me chamo Alkaid. ”

” É um prazer lhe conheçer, Alkaid da lua. ”

writting week2

Advertisements