writting week2

Foi então que eu começei a minha adaptação ao mundo humano. Sabe, a vida na terra é cheia de defeitos, este é sem duvida um lugar ruim de viver mesmo. Mas isso não impede que ninguem tente fazer , do seu jeito, esse lugar um lugar melhor. Na verdade eu descobri uma coisa sobre os terráqueos, eu descobri que todos eles não conseguem encarar a vida de frente o tempo todo, eu senti na pele tambem que não dá! Doi demais, a vida é uma droga, eles fazem a vida deles ser uma droga ,mas ao mesmo tempo eles procuram fazer a vida deles mesmos maravilhosa. Eu descobri tambem que a felicidade e a paz de um terráqueo é contagiante, enquanto em Luna todos somos harmonicos, sempre em paz e satisfeitos, fazendo apenas oque nós queremos, quando queremos ou quando precisamos, sendo fazer apenas oque nós precisamos  a nossa noção de tarefas diarias, e depois só oque temos vontade de fazer, aqui apesar da ordem não ser muito diferente, eles pegam muito pesado com a produção, que sempre precisa dar excedentes.

Mas não é disso que eu vou falar agora, agora, eu vou falar de como eu aprendi a cantar, cantar foi a chave para minha sobrevicencia na terra.

Starsinger – Segunda Canção: Alkaid’s Theme

Depois de algum tempo, três horas segundo o Gabriel, ele me disse algo que pra min que não tinha o mesmo significado pra min. Mas mesmo assim eu o segui, ele me disse ” Vamos para casa. ”

Eu não tinha para aonde ir, as ruas não tinham um bom aspecto, eu sentia que eram perigosas, não sabia, não sabia de nada mas, eu sentia isso, edificios enormes, as pessoas todas sumindo das ruas rapidamente, o silencio tomando conta, um ar pesado pairando no ar, era tudo horrivel para min suportar. Eu fui com o Gabriel até sua casa, um pequeno apartamento de um unico comodo mais um banheiro, ele o chamava de quarto, apesar de pequeno era bem limpo, e bem claro tambem. Com paredes verde oliva com listras verde oliva mais claro, se revezando em larguras diferentes. ele possuia uma cama, um balcão aonde se encontravam os utensilios de cozinha dele, uma pequena prateleira com alguns livros e nada mais. parecia vazio, mas era um vazio aconchegante, não haviam janelas, mas no lugar delas, havia uma porta de vidro com uma sacada, e isto iluminava o seu apartamento perfeitamente, eu aprendi uma palavra na terra, e, gosto de usar ela pra distinguir essa sensação, Magica, é como eu descrevo a sensação que o apartamento do Gabriel me passava.

Eu consegui dormir naquela noite sim. Mesmo estando longe de casa, mesmo depois daquele dia louco, eu dormi, Dormi bem até. Na manhã seguinte fui despertada pelo som do violão, e logo me lembrei de tudo, dentro de min uma emoção pesada de tristeza e medo surgiu. Eu pensei por um segundo que aquilo tudo havia sido um terrivel pesadelo, mas não foi. Bizarro como um simples segundo, seguido por um choque, pode te destruir tão rapidamente, tão ferozmente, foi ai que o Gabriel se virou rapidamente e me perguntou:

” Porque está chorando Alkaid? ”

Porque eu estava chorando? eu simplesmente respondi ” Acho que vou acabar morrendo. ”

” Porque acha isso? ”

” Porque não sei viver nesse mundo de vocês. ”

” Você nem tentou ainda Alkaid. ” Ele disse isso, com um tom imparcial. ” Venha, você disse que queria aprender a cantar certo? Talvez cantando você consiga viver aqui. Não desista ainda Alkaid! O verdadeiro desafio da sua vida ainda nem começou. ” E com o final dessa frase, ele começou a puxar uma melodia.

Ah, o som daquela melodia parecia soar nos meus ouvidos como mágica, era tranquila e feliz, aconchegante e relaxante, havia algo nela que me fazia me mover sem perceber de uma maneira agradavel, e lentamente levantava meu espirito, e logo eu conseguia respirar sem sentir dor alguma, e então ele parou e me disse:

” Agora quero que você dê seu melhor para me acompanhar, só quero que tente imitar o som que eu faço com o violão ok? ”

” Não entendi, oque eu tenho que fazer? ” Eu perguntei a ele, toda perdida naquilo tudo.

” Sabe oque é cantarolar? ”

” Acho que não. ”

” Cantarolar… ” ele para, pensa, coçando sua cabeça enquanto olha para algum ponto no teto sobre minha cabeça, ” Cantarolar é quando você faz assim. ” E ele solta uma pequena sequencia de sons da mesma canção, e as acompanha fazendo um som mais ou menos assim: ” humHUMhumHUMHUMhumHUMhumHUMHUM… ” e depois diz ” Agora é a sua vez de tentar igual. ” ele ajeitou o violão em seu colo, contou até 3 e soltou a mesma sequencia, que ele chamava de acordes.
Eu fiquei parada não sabia ainda oque fazer, foi então que ele disse ” Vamos Alkaid, não precisa ser timida, só tem eu aqui. ”

Me deixei levar pela musica, e logo eu estava cantarolando junto com a canção ” humHumhumHUMHUMhumHumhumHUMHum ”

” Isso. ” Ele olhou pra min e sorriu, ” Mas ainda não está certo, aprendeu a cantarolar, mas ainda não sabe como controlar as notas musicais da sua voz. ”

” Como assim? ” Eu ainda não tinha noção de nada sobre musica, em Luna não se cantava.

” Ah, vamos dar um jeito nisso, não se espante, é que existem notas musicais definindo os sons que produzimos, elas estão presentes em tudo tudo que faz som, as vezes, não é porque não dá pra ouvir que não tem som sabe? Existem mais sons doque os seres humanos são capazes de ouvir. ”

Eu ainda me lembro o como fiquei confusa naquele momento, Mas depois de ser explicada sobre as sete notas musicais e aprender o quão importante elas são, ainda lembro mais ou menos como foi:

Ele tocava uma nota com o violão, e me dizia o nome da mesma, assim: ” Olha Alkaid, isto aqui se chama dó, é a primeira nota da escala musical tente reproduzir comigo, vamos, vou te dar um dó e você tenta fazer igual com sua voz tá? ”

” Tá bem. ” eu respondia devolta, não tinha ideia doque tinha que fazer, mas tentava mesmo assim. E errava, mas ele gentilmente me corrigia me dando um exemplo com a propria voz dele, e ai sim eu conseguia reproduzir, depois ele me fazia igualar a mesma nota com o violão, e assim me pedia para praticar a mesma nota com ele algumas vezes.

eu começei a me divertir tentando aprender a cantar, passamos a manhã inteira praticando, até que o Gabriel decidiu que eu ja havia aprendido o suficiente. Saimos então para trabalhar, ele tocando e eu apenas tentava o acompanhar cantarolando em voz alta, ele ria de mim quando eu errava uma nota, ria ainda mais quando eu percebia que havia errado, nossa como eu ficava com vergonha, sentia meu rosto esquentar, mas ele sempre me incentivava dizendo:

” Mas todos erram, não fique com vergonha só porque errou uma notinha besta, e mesmo que erre uma canção inteira, continue cantando Alkaid. seu estilo pode não ser o que as pessoas acham correto, mas lembre-se, se é seu estilo, não pode ser o estilo correto, porque ele é só seu e de mais ninguem. ”

Enquanto o dia passava, e mudavamos de lugar, a tarde ia se esvaindo, e eu apreciando o céu que mudava, o céu da terra é diferente do céu de luna, em luna não temos o céu que muda de cor, sempre é oque eles aqui chaman de noite, eu ia observando as cores enquanto me deixava carregar pelas melodias, pelas ruas, pelas formas, pelas luzes pouco a pouco o mundo não doia, eu me divertia com a pequena viagem pela cidade, enquanto iamos espalhando esses sons.

Era bom ver os rostos cansados mudando um pouco o semblante, se animando, era bom ver um trabalhador cansado, com seus ombros caidos, olhando para o chão, passar por nós, olhando diretamente, suspirar e assim, levantar seus ombros olhar para frente. Ele parecia ter se curado de algum mal que o aflingia.

Era bom quando as pessoas paravam, com cara de entediadas e escutavam as canções até o fim, no fim os olhos brilhavam, eu podia ver pequenas lágriams em seus cantos, mas eram como pequenas estrelas, e eles alegremente jogavam algum dinheiro sobre a capa do violão.

Ainda tomada por uma grande melancolia, sim, eu ainda tinha  dor, mas era tão pouca agora, eu quase podia me sentir plena denovo, minha cabeça mais leve, uma força correndo pelo meu corpo, devagar, como se alguma coisa adormecida a muito tempo no fundo da minha alma tivesse se recuperado e começado a tomar conta de min.

E então, perto do final do dia o Gabriel olhou para min e sorriu, eu preciso comentar aqui. Nunca vi ninguem nesse planeta sorrir tanto quanto ele, por mais que a vida dele não fosse tomada por luxos, por menor que fosse o pequeno apartamento dele, por mais escassas que fossem suas posses, e por mais exaustivo fosse seu dia, andando pelas ruas e tocando diversas canções, O Gabriel tinha uma aura de satisfação e gloria que eu nunca vi em ser humano nenhum.

Ele ama a vida. A vida que ele tem acima de tudo, não acho que ele seria assim se não fosse pelo seu maior companheiro, o violão. Eles me ensinaram a ser como eu sou agora. e…

…Meu sorriso se deve a eles.

writting week2

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